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Passeios diários e seu impacto positivo na vida do cão

Escrito por Leonardo (online). Publicado em Animais, Bem Estar Animal, Proteção Animal | 1815 visualizações

Olá pessoal. Depois de muito tempo, finalmente consegui parar e escrever alguma coisa…estava sem tempo, sem ideias, até um pouquinho (confesso), sem vontade. Mas finalmente saiu algo novo. O assunto escolhido foi a importância de levar o cão para passear todos os dias. Mas porque escolhi esse tema?

Bem, como todos (ou quase todos) sabem, eu, Leonardo, ando com um probleminha de sobrepeso, o que pode me trazer uma série de problemas. O excesso de peso em cães e gatos nunca é bom, podendo indicar doenças metabólicas, endócrinas ou ainda servir como fator de risco para várias complicações, entre elas problemas de coluna, o que vem a ser o meu caso. Na tentativa de reduzir alguns kilos então, eu e mana começamos a fazer passeios diários aqui no parque onde moramos. Isso me motivou a escrever um pouquinho sobre a importância dos passeios na vida de cães, especialmente aqueles que vivem em casas fechadas ou apartamentos.

Passear sempre é bom, desde que não existam restrições por conta de problemas de saúde ou idade. Cães são animais sociáveis que adoram interagir com pessoas e outros animais, dessa forma, uma rotina de passeios diários pode trazer muitos benefícios. Cães que passeiam são mais calmos e tranquilos em casa, pois liberam boa parte de sua energia na rua. Caminhar, correr e brincar favorece a socialização, diminui o estresse, ajuda na manutenção ou redução de peso, fortalece a musculatura e ajuda a manter o sistema cardiovascular em dia. Isso sem falar nos benefícios que o passeio trás para os donos também! Afinal nada mais gostoso do que um passeio bem gostoso na companhia do seu melhor amigo, não é mesmo?

Porém, alguns cuidados devem ser tomados para que a diversão não se transforme em problema. Independente do local, sempre se recomenda passeios com coleira e guia. Jamais se deixa o animal andar solto, mesmo que ele seja adestrado ou esteja acostumado a passear. Mesmo cães adestrados podem reagir a diversos estímulos, como outros cães, uma fêmea no cio, gatos, barulhos, luzes, pessoas, etc. Um momento de distração pode significar uma corrida para a rua em direção à um carro em movimento e resultar numa fatalidade. É bastante comum também brigas com outros cães ou fugas atrás de gatos, algumas vezes com desfecho trágico.  Portanto jamais se esqueça da principal premissa quando se fala em passeios: sempre usar coleira e guia.

Outro cuidado envolve o uso regular de antiparasitários, pois parques e praças costumam ser locais potencialmente infestados com pulgas e carrapatos. Manter seu cão com o antipulgas e carrapaticida em dia pode evitar esse problema. A escolha de um local adequado também é importante. Dê preferência à parques e praças limpos e seguros e estabeleça um trajeto diário e sem muitas variações para que o cão se acostume com o local, pessoas e outros animais. Isso deixará o passeio mais prazeroso. Evite andar em ruas movimentadas e perigosas. Não force o cão a caminhar muito rápido ou por tempo demais, especialmente se for um dia muito quente ou muito frio. Respeite os limites dele, fazendo momentos de descanso e oferecendo água se a caminhada for um pouco mais longa. No verão, evite os horários mais quentes e sempre se certifique de que a calçada não esteja quente demais a ponto de queimar as patinhas dele.

Se seu cão for daqueles mais rebeldes, que curtem puxar, rodear, latir em excesso ou brigar com outros animais, não o puna. Eduque-o. Converse com um adestrador a fim de saber qual a melhor maneira de modificar hábitos ruins e fazer do passeio um momento agradável tanto para o cão quanto para o dono.

Viram só? Passear é bom demais! Então…bora pra rua!! :)



Eu preciso mesmo cruzar meu cão?

Escrito por Leonardo (online). Publicado em Animais, Bem Estar Animal, Criação de Animais, Proteção Animal | 6002 visualizações

Olá pessoal!! Fazia um tempinho que não saía postagem nova, mas com a chuva que insiste em cair lá fora, acabando de vez com as aventuras do final de semana, acabei me inspirando pra falar sobre um assunto que eu considero importantíssimo…Hoje surgiu uma polêmica porque eu postei que era totalmente contra essa história de “mimimi, minha cadelinha morreu no parto”. Pergunto: porque colocar o animal em cruzamento então? Cadelas/gatas só morrem durante o parto porque logicamente emprenharam! E se emprenharam, das duas uma: ou foi acidental (animal de rua) ou foi permitido pelo dono, e é exatamente aí que mora o problema. Então vamos tentar entender um pouco mais sobre cruzamentos e talvez vocês entendam também o motivo de toda a minha indignação!

Ok, vamos então começar bem do começo! Você chega e me diz: “Quero cruzar meu animal de estimação!!” E eu te pergunto:  “por quais razões você quer fazer isso? É mesmo necessário este cruzamento?” Vamos ver as respostas:

 - Quero cruzar meu animal porque eu sempre sonhei em ter um filhotinho em casa! Ok, primeiro erro! Isso não é motivo para você cruzar seu animal, sabe porque? Primeiramente, porque filhotinhos existem aos montes por aí aguardando ansiosamente por um lar responsável. E em segundo lugar, porque ao colocar seu animal para cruzar, não nascerá apenas UM filhote…serão 3, 5, 8 ou até mesmo 10, dependendo do porte do animal. Então você pára e pensa: o que fazer com tanto animal? Você acha que eles serão filhotes para sempre? De forma alguma….irão crescer, necessitarão de comida, remédios, vermífugos, vacinas, castrações e principalmente, bons donos. Portanto se seu desejo é apenas ter um filhote fofo dentro de casa, pense mil vezes antes de colocar seu cão ou gato pra cruzar. Ao invés disso, adote um!

– Quero cruzar meu animal porque ele é lindo, saudável e é um desperdício não permitir que ele deixe descendentes! Ótimo, outro grande erro. Para que você entenda então, vamos falar um pouco sobre genética! Quando um animal é reproduzido (e isso vale para qualquer animal, inclusive para nós, humanos), ele transmite uma carga genética para seus descendentes. Metade dessa carga genética vem da mãe, e a outra metade vem do pai e juntas, constituirão a carga genética dos descendentes (filhos). E o que essa carga genética determina? TUDO. Cor da pelagem, temperamento, cor dos olhos, tamanho, cor da pele, altura, tamanho da pelagem, se ela é lisa ou ondulada, se ela é macia ou mais durinha, se o animal terá manchinhas redondas ou triangulares no corpo, tamanho das patas, presença ou não de rabinho…a carga genética determina também todo e qualquer tipo de doenças que os descendentes poderão vir a desenvolver ao longo de toda a sua vida: luxações de patela/quadril, atopia (e outras doenças de pele), doenças renais, doenças hepáticas, alterações graves de comportamento, cegueira, surdez, alterações cardíacas, alterações estruturais ósseas ou articulares, desvios do padrão da raça entre muitas outras coisas. E o pior de tudo isso: nem sempre os pais precisam ter esses problemas para que seus filhos venham a ter. Existe uma série de doenças transmitidas por genes RECESSIVOS, ou seja…os pais possuem o gene, mas não possuem a doença. Porém ao passarem o gene a seus descendentes, esses sim desenvolverão a doença. E cada vez que houver cruzamento, mais e mais filhotes nascerão doentes. Em resumo então para que todos entendam: pais saudáveis não necessariamente darão origem a filhotes saudáveis!

Cão atópico resultante de cruzamento mal planejado

 - Mas eu levei meu animal no veterinário, ele fez alguns exames e até um hemograma. Deu tudo normal! Ledo engano…o animal está “normal” do ponto de vista clínico e laboratorial, mas isso não é o suficiente para determinar a aptidão de um animal para gerar descendentes 100% saudáveis. Somente se consegue essa certeza fazendo seleção e mapeamento genético! São técnicas avançadas, exames especializados realizados por criadores experientes que dedicam suas vidas a reproduzirem animais geneticamente saudáveis e que irão gerar filhotes igualmente saudáveis. Filhotes que são vendidos por um preço alto, mas que darão ao dono a máxima probabilidade de crescerem felizes por toda a vida. E se você está lendo isso e é médico veterinário, por favor colega…oriente seus clientes a não sairem por aí procriando seus animais de estimação, mostre os riscos e desestimule criações de fundo de quintal!

– Mas se eu não cruzar meu animal, logo os cães e gatos desaparecerão…e eu não quero isso! Não se preocupe, esse é um risco que não se corre. Existem muitos cães e gatos nesse mundo, especialmente no Brasil. E infelizmente, embora não seja algo necessariamente correto, cruzamentos indiscriminados continuarão existindo por muito tempo! Animais de rua procriam naturalmente sem que muitas vezes possamos evitar, e isso por si só já é responsável por um número altíssimo de animais. Mesmo recolhendo animais das ruas todos os dias, infelizmente muitos ainda nascerão. Além disso, existem muitos criadores sérios e experientes, que se dedicam a preservar os padrões raciais de cães e gatos. Pessoas que dedicam suas vidas a reproduzirem animais saudáveis. Se somente pessoas habilitadas reproduzirem seus animais, teremos no futuro cães e gatos mais felizes, com menos incidências de doenças genéticas degenerativas que causam dor e sofrimento.

 - Eu adotei um animal da rua, ele é lindo, é até de raça! Aproveitei então para tirar uma ninhada! Já falamos sobre as implicações genéticas de cruzamentos mal feitos. Agora imaginem um animal de rua, que não tem nenhum tipo de histórico de saúde? Sabemos de onde ele veio? Quem são ou foram seus pais? Se teve algum tipo de doença grave na infância? Será que não houve um parto distócico no passado? Será que este animal não foi abandonado justamente por ser doente ou ter um desvio comportamental? Poderia haver ainda um histórico de tumor venério transmissível (TVT), não? Então você resgata este animal das ruas, e ao invés de dar-lhe proteção e zelar pelo seu bem estar, você o submete a um cruzamento totalmente desnecessário! Você acha mesmo que essa foi a decisão correta? Eu acho que não…fora que tem toda a questão de proteção animal…você resgata um animal abandonado da rua e faz com que dele venham mais descendentes que poderão ir parar na mesma rua? Não faz nenhum sentido, faz?

 - Eu só vou cruzar meu animal porque meus amigos e familiares sonham em ter um filhote, serão ótimos donos! Esse é uma das justificativas que eu mais ouço: “todos os filhotes terão bons donos!” Mas quem lhe garante que isso será mesmo verdade? Você até pode evitar que estes animais sejam procriados, castrando-os antes de entregar, mas será que isso é suficiente? Não se esqueça da nossa conversa sobre genética! E se algum filhote desenvolver uma doença grave ao longo da vida? E se seu tio, irmão, amigo, vizinho ou namorado resolver passar o animal adiante? E se você não castrar antes de doar, quem lhe garante que esse animal não será reproduzido e irá gerar mais descendentes que poderão, no futuro, parar nas ruas? E se você, ao ficar sabendo de tudo isso, não se sentir nem um pouco responsável, lamento, mas é algo a se pensar!

 - Quero cruzar meu cão ou gato porque quando ele se for sentirei muitas saudades…ter um filhote por perto irá amenizar isso! Preciso confessar (e isso não será nada fácil) que um dia já pensei assim! Já quis ter um filhote de meu animal mais amado por pensar que teria um substituto quando ele se fosse. Mas eu me enganei e você também se enganará, garanto. Meu cão não foi cruzado, não deixou descendente e hoje eu me sinto grata por isso. Sabem por que? Porque por mais que se tente, um animal JAMAIS será igual ao outro. Lembrem-se de que se você procriar seu animal você terá no máximo 50% de chance de obter um filhote parecido com ele. Jamais você conseguirá um animal à altura daquele que você perdeu! Porque cada ser que amamos é único e insubstituível. Então, não procrie…quando seu animal amado se for, pense em tudo o que você significou na vida dele e em tudo o que ele significou na sua vida. Pense que vocês construíram uma vida feliz juntos e que agora é hora dele descansar e de outro animal receber todo o amor que você possa dar! Adote um animal e construa com ele uma linda história também, não uma história de substituição, mas uma história que complementará a anterior! Garanto que é a melhor coisa a ser feita e vocês serão igualmente muito felizes juntos.

Então, acho que era isso…tentei enumerar e rebater as principais justificativas que ouço quando alguém vem me dizer que quer procriar seu animal de estimação, e espero que de alguma maneira esse texto faça você parar para pensar….e quem sabe mais gente pense um pouco sobre isso? Porque o que precisamos é de mudança de mentalidade e a partir daí, mudanças de atitudes! Atitudes que irão refletir em mais bem estar e qualidade de vida para nossos animais.

Para finalizar, seguem dois textos sobre esse assunto que eu gosto bastante, um deles é de minha autoria, e ambos estão disponíveis no Portal Nosso Mundo!

- DEVO CRUZAR MEU CÃO?
QUERO CRUZAR MEU CÃO!

Texto escrito por Silvia Schultz | Médica Veterinária | CRMV – RS 12750. Permitida a reprodução desde que na íntegra e mantidos os créditos.



Dia da adoção solidária CAA – doação responsável de cães e gatos

Escrito por Leonardo (online). Publicado em Animais, Bem Estar Animal, Doação de Animais, Proteção Animal | 4951 visualizações

Um dos maiores problemas que vivenciamos atualmente em relação aos animais domésticos é o abandono. Diariamente, muitos cães e gatos são abandonados por diversos motivos e passam a vida nas ruas, lares temporários ou “abrigos”, aguardando pela chance de conseguirem um lar. Muitos não conseguem, ou quando conseguem, correm o risco de ser novamente abandonado em função de uma adoção mal planejada, mal conduzida ou realizada por impulso. O Clube Amigos dos Animais de Santa Maria, idealizador da feira do  Vira-Lata  que funcionou de 1996 a 2006  todos os domingos das 10 às 12 horas na Praça dos Bombeiros, e neste período doou  mais de 5 mil animais esterilizados e identificados com tatuagem vai retornar agora o evento “Dia da Adoção Solidária”, que será realizado de forma permanente no primeiro domingo de cada mês. Como médica veterinária e voluntária do CAA, apoio a política seguida pela ONG e participo ativamente das diversas atividades por ela realizadas e venho esclarecer o que consideramos uma doação bem feita e bem conduzida, auxiliando esses animais a encontrarem um lar que os acolha por toda a sua vida.

A primeira coisa que eu gostaria de deixar claro então é que não procuramos por donos para nossos animais. Procuramos por tutores responsáveis e comprometidos com o bem estar e qualidade de vida deles durante toda a sua existência. Porque doar para qualquer um é fácil. Se tivermos 200 filhotes disponíveis, encontraremos 200 donos, pois existem muitas pessoas interessadas em um cão ou gato. Porém a grande maioria dessas pessoas só quer um animal por impulso e não leva em consideração o futuro dele em um médio e longo prazo, não havendo garantias de que este animal terá todas as suas necessidades supridas adequadamente. Neste caso, a adoção poderá terminar em abandono e maus tratos, e é justamente isso que desejamos evitar.

Outro ponto importante trabalhado pelo CAA é a doação apenas de animais castrados. Trabalhamos com castração pediátrica de cães e gatos a partir de 60 dias de idade, possibilitando que até mesmo filhotes possam ser entregues já castrados e não venham a se reproduzir no futuro, evitando assim mais descendentes gerados e mais abandono.

A escolha do adotante também é levada em consideração. Fazemos rigorosa seleção de candidatos através de uma entrevista onde constam vários questionamentos acerca do tipo de residência, segurança, propósito da adoção, existência de outros animais na casa, condições financeiras e noções de guarda responsável. Dessa forma tentamos garantir que o animal terá adaptabilidade máxima em seu novo lar.

Já escolhido o adotante, ele se comprometerá a cuidar e zelar pela qualidade de vida do animal até o fim de sua vida, através da assinatura de um termo de compromisso. Nossos animais são todos entregues identificados com tatuagem ou microchip, e esta identificação deverá constar no termo de adoção. Assim, espera-se que haja uma responsabilidade do tutor pelo seu novo animal, não sendo permitido em hipótese alguma vendê-lo, doá-lo a terceiros, abandoná-lo ou maltratá-lo.

Após a entrega do animal, ainda é realizada a monitorização do mesmo no novo lar com a realização de visitas periódicas. Assim, garante-se que o animal esteja saudável, feliz e adaptado. Em casos de não adaptabilidade, o animal é retirado do lar e reencaminhado novamente para adoção.

Além de todas estas etapas, essenciais para o sucesso da adoção, realizamos ainda atividades educativas que visam despertar o conhecimento e o interesse da comunidade para a guarda responsável de seus animais de estimação. Procuramos com isso evitar maus tratos, procriação indesejada, abandono e sofrimento, proporcionando bem estar e qualidade de vida tanto ao animal quanto ao seu tutor.

A política seguida pelo Clube Amigos dos Animais, portanto, consta de diversas atitudes que colocam o animal sempre em primeiro plano e tentam adaptá-lo em lares responsáveis e comprometidos. São atitudes simples, mas que contribuem para um futuro melhor a milhares de cães e gatos que já sofreram muito nas ruas e que agora, finalmente, merecem uma vida plena, com saúde, qualidade e bem estar.



(Divulgação) Bazar de Dia das Mães da Matilha Urbana

Escrito por Leonardo (online). Publicado em Animais, Proteção Animal | 4615 visualizações

Bazar de Dia das Mães da Matilha Urbana com renda revertida aos animais

O Projeto Matilha Urbana convida a participar do seu bazar de Dia das Mães com renda destinada à castração e ao tratamento de animais carentes.

Data: 05/05/2013, 10 às 18 horas.

Associação Beneficente Provincianos de Osaka Naniwa Kai

Rua Domingos de Morais, 1581, Próximo ao metrô Vila Mariana

Acessem nosso Blog e conheça um pouco do nosso trabalho: matilhaurbana.blogspot.com.br

Pagamento em dinheiro ou cheque. Aceitaremos durante o Bazar doação de ração e jornais.



Abrigos de animais. Precisamos deles ou não?

Escrito por Leonardo (online). Publicado em Animais, Bem Estar Animal, Proteção Animal | 6686 visualizações

Olá pessoal. Mais um “Momento Léo Fox”, dessa vez com um toque bem grande de indignação…Hoje o assunto é ABRIGOS DE ANIMAIS, necessitamos deles ou não?

Juro que não consigo entender as pessoas que acham que colocar um cão em um abrigo superlotado onde ele mal consegue se mexer (isso se não morrer por um pouco de ração, ou por brigas, ou por pisoteio) é melhor do que deixá-lo na rua. A rua nem sempre é a pior opção, e é necessário entender isso com urgência. Vamos ver agora a diferença entre um abrigo de cães e gatos considerado “ideal” e os abrigos que dispomos atualmente:

Como deveriam ser:

 - Possuir bons gestores;

 - Prestação de contas e transparência financeira;

 - Número limitado e controlado de animais;

 - Doações de animais castrados e em boas condições de saúde;

 - Contar com assistência veterinária;

 - Não recolher mais animais do que a lotação ideal suportada;

 - Local seguro e higienizado;

 - Ter apadrinhamentos (ração, medicamentos, etc);

 - Animais separados por temperamento, idade, condições de saúde;

 - Possuir área para isolamento para o caso de doenças infecto contagiosas;

 - Fazer educação para a Guarda Responsável.

Como são:

 - Superlotação;

 - Espaço inadequado;

 - Falta de higiene;

 - Não possui nenhum tipo de fonte de recursos;

 - Não possui apadrinhamentos;

 - Animais são recolhidos sem controle;

 - Não são castrados, reproduzem-se indiscriminadamente;

 - Não há área para isolamento;

 - Os animais não são doados e ficam todos juntos no mesmo local (idosos, filhotes, adultos, doentes, saudáveis), e quando são doados, não existe a nevessidade de esterilização prévia;

 - Ocorrem brigas com freqüência;

 - Local do abrigo serve como desova para ninhadas e animais adultos;

 - Falta ração, faltam cuidados veterinários, falta controle sanitário.

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Como podemos ver, portanto, os abrigos existentes por aí estão longe, muito longe de serem ideais. O que vemos com bastante frequência é um amontoamento de cães e gatos que mal conseguem se mexer, não possuem o mínimo de condições de bem estar, não comem adequadamente, não recebem cuidados veterinários, brigam, matam ou morrem. Não castrados, reproduzem-se desenfreadamente. Não havendo captação de recursos, sugem os apelos desesperados nas redes sociais, implorando por ração, remédios, roupinhas, caminhas etc. Não há higiene, cães e gatos vivem entre seus próprios dejetos. Não há área de isolamento, ocorrendo os surtos de cinomose e parvovirose (cães), PIF, FIV, FeLV (gatos). Ao tornar público o local do abrigo, ninhadas e mais ninhadas são desovadas, contribuindo ainda mais para a superlotação. Muitos donos dos abrigos se recusam a doar os animais alegando apego, o que acaba levando ao colecionismo. Os animais sofrem, sentem medo, são intimidados uns pelos outros, não conseguem comer direito, nem beber água, nem dormir, não brincam, não se distraem…e ainda tem gente que acredita que essa é a melhor opção.

Pois não é. Abrigos são de longe a melhor opção, estão entre as piores, na verdade.

Mas aí você pode estar se perguntando nesse exato momento: “sim, mas se abrigos não funcionam, o que fazer então? Deixar o animal na rua?”

Muitas vezes a rua não é o pior local, se houver o mínimo de comprometimento por parte da proteção animal e da comunidade. Aí entra o conceito de C.E.D. (Captura, esterilização e devolução).  Fazer C.E.D. funciona, e trás mais bem estar ao animal, evitando procriação e mais filhotes abandonados. Retira-se o animal do seu local de origem, castra-o e devolve-se ao local de onde ele foi retirado. Exceções à isso são animais de risco, que estejam doentes ou sem condições de ser mantidos na rua, nesses casos é imperativo assistência veterinária e lar temporário até que a adoção se concretize. Mas cães e gatos em bom estado geral podem viver na comunidade sim! Obviamente que deve haver comprometimento de todos, e para isso existe a educação para a guarda responsável. Cada um se compromete, alimenta, cuida, dá carinho, atenção, banhos…não é preciso que apenas uma pessoa faça muito, mas se cada um fizer um pouco, já será o suficiente. Cães e gatos comunitarios castrados podem viver muito bem até que se consiga um lar responsável, sem que haja a necessidade de atirá-los em abrigos superlotados.

Então, você já tinha pensado nisso? Que existem sim alternativas à construção de abrigos, alternativas simples e baratas, que podem ser colocadas na prática desde que haja um pouquinho de comprometimento da parte de cada um? C.E.D., lar temporário, educação da comunidade para a guarda responsável, não procriação, não abandono…tudo isso são ideias fáceis e práticas que vão mudar a vida desses animais, podendo inclusive diminuir substancialmente os índices de abandonos e maus tratos que vivenciamos atualmente. PENSE NISSO, e faça a diferença. NÃO À ABRIGOS, SIM À CAPTURA, ESTERILIZAÇÃO E DEVOLUÇÃO DE CÃES E GATOS COMUNITÁRIOS.